Ou isso ou aquilo

Há momentos em que a vida nos coloca diante de uma escolha aparentemente simples: ou isso ou aquilo. Como se fosse possível permanecer no meio, suspenso entre duas possibilidades, esperando que o tempo escolha por nós.

Mas talvez seja justamente aí que esteja o problema. Não escolher também é uma escolha.

Søren Kierkegaard, em Ou isso, ou aquilo, coloca o ser humano diante dessa tensão. A existência não é feita apenas de possibilidades, mas das decisões que tomamos diante delas. Podemos desejar todas as estradas, mas não podemos percorrê-las todas ao mesmo tempo. Em algum momento, é preciso dizer sim a alguma coisa e, inevitavelmente, não a outra.

Escolher é perder possibilidades, e talvez seja por isso que tantas vezes adiamos nossas decisões. Preferimos conservar todas as portas abertas, como se a liberdade estivesse em não fechar nenhuma. Entretanto, uma vida inteiramente feita de possibilidades pode acabar não sendo uma vida, mas apenas uma espera.

Entre isso e aquilo existe a angústia da escolha. Existe o medo de escolher errado, de descobrir depois que a outra possibilidade era melhor, de olhar para trás e imaginar como teria sido se tivéssemos tomado outro caminho.

Mas viver talvez seja justamente aceitar que não teremos todas as respostas antes de decidir.

Escolher é assumir a própria existência. É reconhecer que somos responsáveis não apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer. E, quando finalmente escolhemos, aquilo que antes era apenas uma possibilidade começa a se transformar em nossa realidade.

Por isso, “ou isso ou aquilo” não é apenas uma pergunta sobre duas alternativas. É uma pergunta muito mais profunda: quem eu quero ser diante da vida que me foi dada?

Porque, no fim, talvez a grande escolha não seja entre isso e aquilo.

Talvez seja entre viver escolhendo ou passar a vida inteira esperando que a escolha aconteça por nós.

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